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Inventários de conteúdo, laboratórios de usabilidade, protótipos, card sorting, fluxogramas, personas, levantamento de requisitos, avaliação heurística, análise contextual… Enfim, são tantos métodos, conceitos, recursos. Mas, como
encaixá-los na realidade?

Ultimamente tenho acompanhado com certa atenção o movimento em alguns grupos do Facebook que falam sobre AI, Usabilidade e Design de Interação. Estava literalmente “à espera de um milagre” até que me cansei e puxei o assunto, pois raramente tenho visto profissionais colocando em pauta as dificuldades em “encaixar na realidade”, em outras palavras, no cotidiano profissional, as diversas técnicas e conceitos que permeiam o campo da interação homem-máquina.

São milhares de páginas, blogs e fóruns na rede centrados na difusão de conteúdo inteligente, mas pouquíssimos nos ensinam como fazer a mágica acontecer.

Por esta razão, venho através da minha própria experiência e dificuldades falar sobre este assunto.

Sou Arquiteta de Informação e atualmente, boa parte do meu trabalho está voltado para o planejamento das funcionalidades aliado ao papel de PO (Product Owner), que no meu ponto de vista, tem ganhado força dia após dia, intensificando e aprofundando as atividades de arquitetura, design e usabilidade por meio do contato frequente com o cliente para as definições do Product Backlog. Esta comunicação, sem interlocutores, me conferiu a oportunidade de abstrair o negócio, identificar os cenários e, principalmente, vislumbrar em primeira mão as problemáticas que em outro momento eram narradas pelos analistas através de estórias muitas vezes confusas e cheias de ruídos.

Nada contra os analistas de sistema, sou a favor de trabalharmos juntos, inclusive na elaboração das estórias. Desta forma, é muito mais fácil externar os objetivos e necessidades do cliente para todos os membros da equipe através de uma abordagem menos técnica e simplificada para descrever os requisitos funcionais e não funcionais de um sistema.

Ok, até aí tudo bem, mas ainda hoje percebo que muitos Arquitetos e profissionais da UX passam boa parte do tempo prototipando quando poderiam estar engajados em outras atividades que pudessem agregar valor às ferramentas desenvolvidas. É neste aspecto que os questionamentos não cessam.

Em tempos de SCRUM, desenvolvimento ágil e passinho do volante (Ah Lelek Lek Lek Lek), arquitetos e demais profissionais, “giram para um lado e giram para o outro” buscando meios de oferecer a melhor experiência para seus usuários em tempo hábil.

Quando eu penso em sprints, penso em Gestalt e logo me dou conta do tamanho do problema, afinal de contas “não se pode ter conhecimento do todo por meio de suas partes”, não é mesmo? Então como manter a qualidade dos sistemas se nós trabalhamos com parcelas e se os prazos vão na direção oposta das famosas e longas documentações?

É certo que a ausência de documentação nos pede acompanhamento full time de todas as fases do projeto, exigindo muito daqueles que dominam o negócio e definiram os requisitos.

Logo, como vocês podem perceber eu ainda não encontrei uma receita para a “arquitetura ágil” e/ou “usabilidade ágil” que funcione dentro de uma fábrica de software e acredito que muitos de vocês estão na mesma situação: procurando formas de gerar os principais entregáveis da arquitetura informacional em curtos períodos.

Outra questão que tenho observado é que muitos destes artefatos parecem perder a utilidade perante a metodologia ágil e o ciclo de vida do software.

Por fim, como não transviar as boas práticas e impedir que o planejamento da interface seja feito de modo puramente instintivo e leviano?